Remoção de plicoma anal com laser de CO2: como funciona e quando vale a pena
Como o laser de CO2 remove o plicoma anal, por que ele reduz o risco de recidiva em comparação ao eletrocautério e em quais casos a remoção é realmente indicada.
Quase todo plicoma anal pode simplesmente ser deixado em paz. A conversa útil não é sobre qual tecnologia é melhor, mas sobre se aquele plicoma precisa sair — e, quando precisa, por que a escolha do instrumento muda o resultado.

Antes da técnica: esse plicoma precisa sair?
O plicoma anal é uma saliência de pele benigna ao redor do ânus. É macio, tem a cor da pele ao redor e costuma ter formato de dobra ou "orelhinha". É muito comum: estima-se que cerca de um terço das pessoas com problemas anais benignos, como hemorroidas ou fissuras, apresente algum plicoma.
Na maioria dos casos ele não causa sintoma nenhum. Quando não há inflamação, dor ou incômodo, a recomendação é deixá-lo em paz — não faz sentido transformar em problema algo que não incomoda.
A remoção costuma ser considerada quando o plicoma:
- Causa desconforto, coceira ou dificuldade de higiene;
- Fica frequentemente irritado, dolorido ou sangra;
- Incomoda esteticamente o paciente;
- Precisa ser biopsiado para descartar outras condições, como a doença de Crohn.
Antes disso, vale confirmar que é mesmo um plicoma. Ele é confundido com frequência tanto com hemorroida quanto com verruga de HPV, e a conduta é completamente diferente em cada caso.
Como o laser de CO2 remove o plicoma
O laser de CO2 emite um feixe de luz que é fortemente absorvido pela água presente no tecido. Isso faz com que ele vaporize — literalmente evapore — camadas finas de tecido com grande precisão, em vez de apenas coagular como faz o eletrocautério.
Na prática, isso significa três coisas durante a plicomectomia:
- Corte com controle milimétrico: o tecido é removido em camadas, com pouca agressão às áreas vizinhas.
- Selagem simultânea dos vasos: o próprio laser fecha os pequenos vasos enquanto corta, o que reduz o sangramento.
- Menos inchaço depois: com menor dano térmico lateral, a resposta inflamatória tende a ser menor, e a cicatrização acontece de forma mais limpa.
O ponto que quase ninguém explica: a técnica influencia a recidiva
Esse é o argumento clínico mais relevante, e não é estético.
Plicomas retirados com eletrocautério sofrem maior dano térmico e desenvolvem mais inflamação no local. Mais inflamação significa maior risco de um novo plicoma se formar exatamente ali.
O mesmo raciocínio explica um efeito que surpreende muitos pacientes: cirurgias que causam bastante inflamação, como a hemorroidectomia convencional, podem formar plicomas no próprio local operado. O plicoma, nesse caso, é sequela da inflamação — e não da doença original.
Se quiser entender melhor a diferença entre os instrumentos, o artigo sobre eletrocautério, laser de diodo e laser de CO2 compara os três lado a lado.
Quais são as opções de remoção
Quando a remoção é indicada, as opções mais usadas são:
- Excisão cirúrgica simples, com tesoura ou bisturi;
- Excisão cirúrgica com laser de CO2.
Nenhuma das duas elimina a possibilidade de novos plicomas ao longo do tempo, especialmente se os fatores que favoreceram o aparecimento continuarem presentes — atrito, fissuras recorrentes ou doenças de base.
O que conversar na consulta
- Se o plicoma realmente precisa ser removido ou se o incômodo pode ser resolvido de outra forma.
- Se existe uma causa por trás dele — uma fissura ativa, hemorroidas, uma inflamação de repetição — que também precisa ser tratada, sob risco de o plicoma voltar.
- Qual técnica será usada e por quê.
- Expectativa realista de cicatrização e de retorno às atividades.
Você pode ver como esse procedimento é conduzido na prática na página de remoção de plicoma anal com laser de CO2.
Quando procurar avaliação
Qualquer lesão nova na região anal que sangre, cresça, mude de cor ou textura, ou que simplesmente cause dúvida, merece ser avaliada. O diagnóstico é clínico, feito por exame direto, e em casos de dúvida pode ser confirmado com biópsia.
Perguntas frequentes
Todo plicoma anal precisa ser removido?
Não. Na maioria das vezes o plicoma não causa sintoma nenhum e a conduta é deixá-lo em paz. A remoção é considerada quando ele causa desconforto, coceira ou dificuldade de higiene, fica frequentemente irritado ou sangra, incomoda esteticamente, ou precisa ser biopsiado para descartar outras condições.
Por que o laser de CO2 e não o eletrocautério?
O eletrocautério gera calor que se propaga pelo tecido ao redor, causando mais dano térmico e mais inflamação. O laser de CO2 vaporiza camadas finas com controle milimétrico. Além do pós-operatório mais confortável, esse menor dano térmico reduz o risco de o plicoma voltar a se formar no mesmo local.
O plicoma pode voltar depois de removido?
Pode, especialmente se os fatores que o causaram continuarem presentes, como atrito crônico, fissuras recorrentes ou uma doença de base. A técnica usada na remoção também influencia esse risco.
A remoção do plicoma é só uma questão estética?
Não. O incômodo estético é um motivo legítimo de indicação, mas muitos pacientes procuram por dificuldade de higiene, irritação de repetição ou desconforto local — e há casos em que a remoção serve para biópsia.
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Conteúdo elaborado com finalidade educativa por Dra. Dayara Salomão, coloproctologista.