Plicoma anal: o que causa esse "excesso de pele" e quando tratar
Plicoma anal é uma dobra de pele benigna ao redor do ânus. Entenda as causas mais comuns, quando o tratamento é indicado e por que ele pode voltar.
O plicoma anal é uma das queixas mais comuns no consultório e uma das que mais gera susto, porque muitos pacientes descobrem a "pelinha" por acaso e imaginam o pior.

O que é o plicoma anal?
O plicoma anal, ou "excesso de pele" na região do ânus, é uma pequena saliência de pele benigna que se forma ao redor do ânus. Geralmente tem a mesma cor da pele ao redor, é mole ao toque e pode ter formato de "orelhinha" ou dobra de pele pendurada.
Não é uma verruga genital nem uma doença sexualmente transmissível, embora às vezes seja confundido com condiloma (verruga viral) por profissionais menos experientes. Por isso a avaliação médica é importante quando surge uma alteração nova nessa região.
É uma condição muito comum: estima-se que cerca de um terço das pessoas com problemas anais benignos, como hemorroidas ou fissuras, apresentem algum plicoma.
O que causa o aparecimento do plicoma anal?
Existem várias causas possíveis, e muitas vezes mais de um fator está envolvido:
- Cicatrização de lesões anteriores: fissuras anais (pequenos cortes na pele do ânus) que são crônicas ou que já cicatrizaram podem levar ao aparecimento de plicomas. Hemorroidas que inflamaram anteriormente também costumam deixar uma dobra de pele residual.
- Inflamação pós-procedimento cirúrgico: principalmente após cirurgias convencionais de hemorroida, devido à inflamação ocasionada pelo eletrocautério.
- Atrito e irritação crônica: assim como acontece em outras dobras do corpo (pescoço, axilas, virilha), o atrito repetido na região anal favorece o crescimento dessas pequenas saliências de pele.
- Fatores de peso e hormonais: pessoas com sobrepeso, obesidade ou diabetes têm maior chance de desenvolver esse tipo de lesão de pele em geral.
- Doenças inflamatórias intestinais: em alguns casos, plicomas anais podem ser um sinal precoce de doença de Crohn, especialmente quando aparecem em crianças ou adolescentes, ou quando vêm acompanhados de fissuras ou inflamação na região. Por isso, quando há dúvida sobre a causa, o médico pode considerar investigar essa possibilidade.
Como o plicoma anal é tratado?
Na maioria dos casos, o plicoma anal não causa nenhum sintoma e não precisa de tratamento algum. Quando não há inflamação, dor ou incômodo, a recomendação geral é simplesmente deixá-lo em paz e não tornar um problema algo que não incomoda.
O tratamento costuma ser considerado apenas quando o plicoma:
- Causa desconforto, coceira ou dificuldade de higiene.
- Fica frequentemente irritado, dolorido ou sangra.
- Incomoda esteticamente o paciente.
- Precisa ser biopsiado para descartar outras condições, como a doença de Crohn.
Quando a remoção é indicada, as opções mais usadas incluem:
- Excisão cirúrgica simples (corte com tesoura ou bisturi).
- Excisão cirúrgica com laser de CO2.
Por que o plicoma pode voltar
É importante lembrar que, mesmo depois da remoção, novos plicomas podem se formar ao longo do tempo, especialmente se os fatores que favoreceram seu aparecimento (como atrito, fissuras recorrentes ou doenças de base) continuarem presentes.
Além disso, a técnica cirúrgica também é importante: plicomas retirados com eletrocautério têm maior dano térmico tecidual e inflamação, e com isso maiores riscos de recidiva do plicoma. Da mesma forma, cirurgias que também causam inflamação, como a hemorroidectomia convencional, podem formar plicomas no local operado.
Perguntas frequentes
Plicoma anal é uma doença sexualmente transmissível?
Não. O plicoma é uma prega de pele benigna, sem relação com vírus. Ele pode ser confundido com condiloma (verruga por HPV), e é justamente por isso que a avaliação médica de qualquer lesão nova importa.
Todo plicoma anal precisa ser removido?
Não. Na maioria dos casos ele não causa sintoma nenhum e a recomendação geral é deixá-lo em paz. O tratamento costuma ser considerado apenas quando ele incomoda, irrita, sangra ou precisa ser biopsiado.
O plicoma pode voltar depois de removido?
Pode. Novos plicomas podem se formar ao longo do tempo se os fatores que favoreceram seu aparecimento continuarem presentes, como atrito, fissuras recorrentes ou doenças de base.
Plicoma anal pode ser sinal de outra doença?
Em alguns casos, sim. Plicomas anais podem ser um sinal precoce de doença de Crohn, especialmente quando aparecem em crianças ou adolescentes, ou quando vêm acompanhados de fissuras ou inflamação na região.
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Conteúdo elaborado com finalidade educativa por Dra. Dayara Salomão, coloproctologista.